sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Algumas noções sobre Marés

A atração que a lua exerce sobre as águas do mar origina as marés em qualquer dique, porto ou enseada. Podemos observar que a água sobe e desce duas vezes por dia; e este fluxo e refluxo das águas, que as mantém em constante movimento, recebeu o nome de maré. As marés nunca cessam, porque a terra nunca deixa de girar, e este movimento rotatório do nosso planeta é o que, de certo modo, produz as marés. Numa palavra, as marés estão relacionadas com os dias. Desde a muito tempo, ainda antes de os homens saberem que a terra girava sobre o seu eixo, observou-se como não podia deixar de ser, que as marés tinham uma relação com a lua. Hoje conhece-se precisamente essa relação.

Como é que a Lua origina as marés ?
Suponhamos que a lua não girasse em torno da terra, mas que tão-somente a acompanhasse no seu movimento através dos espaços. Neste caso, a lua apareceria e desapareceria diariamente, mas sempre às mesmas horas. E desse modo, haveria marés diariamente em toda parte do mundo, como realmente acontece, mas sempre à mesma hora. A diferença entre isto e o que de fato se passa, é que a lua move-se em volta da terra enquanto esta gira sobre seu próprio eixo. Isso faz com que a lua apareça e desapareça em cada lugar da terra, meia hora mais tarde, aproximadamente,em cada dia, e está provado que as marés experimentam um atraso semelhante.
     A lua, como a água do mar, são substâncias materiais, e é sabido que matéria atrai matéria. Este fenômeno recebeu o nome de gravitação universal. Entre a Terra e a lua existe naturalmente esta mesma atração mútua;
mas, como a maior parte da terra está coberta de água e os líquidos não são rígidos, é claro que os efeitos desta atração se hão de fazer sentir especialmente sobre os diferentes mares. As águas colocadas defronte da lua são atraídas por ela, e como a terra gira constantemente sobre o seu eixo, compreende-se que uma onda tremenda e alterosa deve caminhar noite e dia através dos diferentes oceanos seguindo o movimento de nosso satélite. Se na lua houvessem mares também nela haveriam marés, devido à atração da terra; e como esta é muito maior do que aquela as marés na lua seriam enormes. Mas na lua não há mares, embora existam possivelmente os leitos de certos oceanos secos a já muito tempo.
A ação da lua reduz-se simplesmente a atrair para si as águas existentes sobre a superfície da terra à medida que esta gira e lhe apresenta sucessivamente as suas diversas porções líquidas.

O sol também provoca marés da mesma maneira e pelas mesmas razões que a lua, mas a força atrativa diminui muito rapidamente à medida que aumenta a distância através da qual ela se exerce. Por isso embora o Sol seja muito maior do que a lua, a distância a que se acha de nós é imensamente superior a que nos separa da lua, que a sua influência sobre os nossos mares é relativamente pequeno, mas, não obstante, apreciável.
O Sol e a Lua atraem simultaneamente a Terra
a principal conseqüência do movimento real da lua em volta da terra é que aquela parece nascer em qualquer ponto, todos os dias a uma hora diferente, variando de igual modo as horas das marés. Além disso como nosso satélite completa uma revolução em torno da terra em um pouco mais de 28 dias, há ocasiões em que a Lua e o sol se encontram do mesmo lado da terra e outras em que, pelo contrário, a Lua se acha de um lado e o Sol do outro, enquanto que nos intervalos as linhas que unem os ditos astros com o centro da terra formam entre si um ângulo de 90º  aproximadamente.
Ora, quando o sol e a lua exercer sua atração no mesmo sentido, as suas forças conjugam-se, e as águas, durante uns certos dias, sobe-e-desce um pouco mais que de ordinário. Durante outra parte do mês, enquanto o sol e a Lua estão em oposição, a sua ação exerce-se em sentido contrário. A Lua atrai as águas com a mesma força mas como o sol por sua vez as atrai em sentido contrário, os efeitos da primeira atração não são tão importantes.    
Durante outros dias, enfim, as marés não se distinguem por serem mais fortes ou mais fracas. Observe as marés todos os dias durante um mês e poderão confirmar tudo o que dizemo

Podemos comparar a praia com a borda de um prato cheio pelo meio; se a ele juntarmos líquido, a maré sobe. Ao elevar-se o nível da água, aumenta a parte da borda coberta pelo dito líquido e vice-versa. Deste modo poderemos compreender como as águas avançam e recuam com velocidades diferentes, ao que parece, nos diversos lugares. Num dique, onde a água está confinada, por assim dizer, num recipiente de paredes verticais, é preciso juntar uma grande quantidade de líquido para que a diferença de nível seja apreciável, e por isso a maré parece subir muito devagar. Pelo contrário quando existe uma praia com um declive muito suave, a água, que cresce devido à atração da lua, como já temos explicado, estende-se sobre uma superfície muito ampla, e dizemos então que a maré cresce com rapidez.
Se deitarmos uma colher de água num vaso grande, de paredes verticais, apenas cobrirão uma parte muito pequena desta parede; mas se deitarmos essa mesma quantidade de líquido numa mesa plana, com certeza ficará coberta uma boa parte da mesa. Há lugares onde a maré sobe com uma grande velocidade e até em certas ocasiões com rapidez assombrosa.

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